COLABORAÇÃO NA FREAKIUM
O NÃO LANÇAMENTO EM DVD
Matheus Trunk
Sete Homens Vivos Ou Mortos
Direção: Leogivildo Cordeiro (Radar)
Brasil, 1969
Há certas pessoas que, no cinema brasileiro, sempre são lembradas e homenageadas. Em festivais, livros, jornais, documentários e em qualquer tipo de publicação, sua é história é contada as novas gerações. Não que a importância dessas pessoas não seja fantástica e que não tenha sido fundamental na estruturação e no desenvolvimento de como conhecemos o cinema brasileiro hoje.
Mas o grande problema é que embora a história do cinema brasileiro esteja sendo contada, isso só ocorre em parte dela. A grande maioria dos cineastas e produções lembradas são de pessoas oriundas da classe média brasileira e que tiveram em sua maioria, muito dinheiro vindo de órgãos governamentais para fazerem seus filmes. Essas pessoas, geralmente são de esquerda, e acabam por fazer com que as pessoas que não conhecem o cinema brasileiro pensarem que somente na época em que elas existiam o cinema brasileiro era bom e que o resto, é pra se esquecer. Isso também acontece nos lançamentos em DVD, sendo que somente as produções desse pessoal são lançadas no novo formato, conseguindo assim, ficar para a posteridade.
Mas a verdade não é bem essa. O cinema popular produzido pelas classes populares do Brasil, teve grande importância e influência, sendo em sua época muito populares e fazendo um enorme sucesso. Sem falar nas inúmeras pessoas presentes nesses filmes são de certa forma, patrimônios culturais do Brasil.
Uma dessas, e uma das mais geniais e esquecidas foi o grande montador Leogivildo Cordeiro (1935-1983) ou o Radar, como ele ficou mais conhecido. Pernambucano de nascimento, Radar veio ao Rio em meados dos anos 50. Ex- policial, iniciou-se no cenário cinematográfico nacional, sendo figurante em chanchadas. Foi também continuísta, assistente de produção, assistente de direção e assistente de montagem, antes se seguir carreira como montador. Montou ao todo cerca de 41 filmes, quase todos de produção do lendário Beco da Fome, a Boca do Lixo carioca. Foi o montador preferido dos diretores mais atuantes do Beco: Carlos Imperial, Mozael Silveira, Élio Vieira de Araújo, Alcino Diniz, Roberto Mauro e também do cult Júlio Bressane, que o tem como ídolo. Em sua homenagem, Bressane realizou um média-metragem, “Cinema Inocente”, também montado por Cordeiro.
Radar dirigiu um filme uma única vez, esse grande e esquecido “Sete Homens Vivos Ou Mortos” que contou com um elenco de monstros sagrados de nosso cinema: Maurício do Valle (o grande Antônio das Mortes de “Deus e O Diabo Na Terra do Sol” de Glauber Rocha), Jardel Filho (fantástico ator, de presença marcante em novelas da Globo e em filmes como “Terra Em Transe” e “Rio Babilônia”), Milton Gonçalves (lenda do cinema brasileiro, participando de mais de 50 filmes, tendo grande atuação em “Rainha Diaba”), Eliezer Gomes (principal ator do clássico “Assalto Ao Trem Pagador”) e do grande gênio/poeta Wilson Grey. Grey, para quem não sabe é o ator que mais atuou em filmes brasileiros, participando de mais de 200 produções em apenas 40 anos de carreira. Por diversas vezes, Wilson disse que sua maior atuação foi nesse filme, em que ele desempenhou pela primeira e única vez a função de assistente de direção. Por esse filme também, ele recebeu um prêmio, de melhor ator secundário no Festival de São Carlos de 1969.
Isso tudo torna o filme notável e imperdível. Jogado no limbo por pesquisadores e ditos “defensores” do nosso cinema, “Sete Homens Vivos Ou Mortos” teve grande repercussão entre as classes populares de sua época, embora tenha sido rotulado pela época como um filme “reacionário”. Nunca lançado em VHS, e nunca em DVD, a única cópia da produção que se conhece encontra-se na Cinemateca Brasileira em São Paulo. Incluída pelo grande pesquisador Remier Lion, em sua mostra “Cinema Brasileiro: A Vergonha de Uma Nação” que aconteceu entre 1 a 12 de dezembro de 2004, o filme não pode ter sido passado, pois a cópia estava sem o som original da produção.
Mesmo assim, vale o recado a todos e principalmente aos “defensores” que escrevem uma versão da história do cinema brasileiro, mas esquecem outra.
Escrito por Matheus Trunk às 02h06
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